24 Julho, 2005
Sobre o EGO - Alan Watts
“Bem", você pergunta.
“Como me livro dele?”
E a minha resposta diz:
Esta pergunta está errada.
Como é que alguém se livra do quê?
Você não pode se livrar da sua ilusão de ser um ego através de uma atividade do ego.
Desculpe, mas isso não pode ser feito...
Se você tentar se livrar do seu ego com o seu ego apenas acabará em um círculo vicioso.
Será como alguém que se preocupa porque se preocupa com o fato de se preocupar.
Tradução: Gabriel Mallet Meissner (Julho/2005)
“Como me livro dele?”
E a minha resposta diz:
Esta pergunta está errada.
Como é que alguém se livra do quê?
Você não pode se livrar da sua ilusão de ser um ego através de uma atividade do ego.
Desculpe, mas isso não pode ser feito...
Se você tentar se livrar do seu ego com o seu ego apenas acabará em um círculo vicioso.
Será como alguém que se preocupa porque se preocupa com o fato de se preocupar.
Tradução: Gabriel Mallet Meissner (Julho/2005)
Poema de Allan Watts
Havia um jovem que disse, “Embora
me pareça que eu sei que eu sei,
o que eu gostaria de conhecer
é o “Eu” que sabe de “mim”
quando eu sei que eu sei que eu sei.”
There was a young man who said, “Though
me pareça que eu sei que eu sei,
o que eu gostaria de conhecer
é o “Eu” que sabe de “mim”
quando eu sei que eu sei que eu sei.”
There was a young man who said, “Though
It seems that I know that I know,
What I would like to see
Is the “I” that knows “me”
When I know that I know that I know.”
- Por Allan Watts (1966), tradução de Gabriel Mallet Meissner (Julho/2005)
10 Julho, 2005
O Solipsista
Por Fredrie Brown
Tradução de Gabriel Mallet Meissner
Walter B. Jeovah, por cujo nome não me desculpo, pois realmente era seu nome, havia sido um solipsista toda a sua vida. Um solipsista, caso não esteja familiarizado com o termo, é alguém que acredita que ele mesmo é a única coisa que verdadeiramente existe e que o universo, como um todo, existe apenas em sua imaginação. Conseqüentemente, que se parar de imaginar, tudo, as pessoas e o universo, cessarão de existir.
Um dia, Walter B. Jeovah, tornou-se um solipsista praticante. No espaço de uma única semana, sua esposa fugiu com outro homem, ele perdeu seu emprego de marinheiro e quebrou a perna perseguindo um gato preto para impedi-lo de cruzar seu caminho.
Na cama do hospital, decidiu acabar com tudo.
Olhando péla janela, contemplou as estrelas e desejou que cessassem de existir. Logo, não mais estavam lá. Em seguida, desejou que todas as pessoas cessassem de existir. O hospital tornou-se inusitadamente quieto, mesmo para um hospital. Depois, o mundo, ele se percebeu suspenso em um vácuo. Walter B. Jeovah se livrou de seu corpo com a mesma facilidade e, finalmente, deu o passo final, desejando que ele mesmo cessasse de existir.
Nada aconteceu.
“Estranho”, pensou ele, “haverá um limite para o solipsismo?”
“Sim”, disse uma voz.
“Quem é você?”, Walter B. Jeovah perguntou.
“Eu sou aquele que criou o universo, cujo fim você acaba de desejar. E agora que você tomou meu lugar – ‘então houve um grande suspiro’ – Eu posso finalmente cessar minha própria existência, cair em esquecimento e deixá-lo tomar conta de tudo.”
“Mas – como é que eu posso deixar de existir? É o que venho tentando fazer, você sabe.”
“Sim, Eu sei”, disse a voz. “Você terá de fazer o mesmo que Eu fiz. Criar um universo. Aguardar até surgir alguém que realmente acredita no que você acreditou e que deseje o fim da existência. Então, poderá se aposentar e deixá-lo tomando conta. Agora, adeus.”
E a voz se foi.
Walter B. Jeovah está sozinho no vácuo e havia somente uma coisa que podia fazer. Ele criou o Céu e a Terra.
Para cumprir sua tarefa, levou sete dias.
Tradução de Gabriel Mallet Meissner
Walter B. Jeovah, por cujo nome não me desculpo, pois realmente era seu nome, havia sido um solipsista toda a sua vida. Um solipsista, caso não esteja familiarizado com o termo, é alguém que acredita que ele mesmo é a única coisa que verdadeiramente existe e que o universo, como um todo, existe apenas em sua imaginação. Conseqüentemente, que se parar de imaginar, tudo, as pessoas e o universo, cessarão de existir.
Um dia, Walter B. Jeovah, tornou-se um solipsista praticante. No espaço de uma única semana, sua esposa fugiu com outro homem, ele perdeu seu emprego de marinheiro e quebrou a perna perseguindo um gato preto para impedi-lo de cruzar seu caminho.
Na cama do hospital, decidiu acabar com tudo.
Olhando péla janela, contemplou as estrelas e desejou que cessassem de existir. Logo, não mais estavam lá. Em seguida, desejou que todas as pessoas cessassem de existir. O hospital tornou-se inusitadamente quieto, mesmo para um hospital. Depois, o mundo, ele se percebeu suspenso em um vácuo. Walter B. Jeovah se livrou de seu corpo com a mesma facilidade e, finalmente, deu o passo final, desejando que ele mesmo cessasse de existir.
Nada aconteceu.
“Estranho”, pensou ele, “haverá um limite para o solipsismo?”
“Sim”, disse uma voz.
“Quem é você?”, Walter B. Jeovah perguntou.
“Eu sou aquele que criou o universo, cujo fim você acaba de desejar. E agora que você tomou meu lugar – ‘então houve um grande suspiro’ – Eu posso finalmente cessar minha própria existência, cair em esquecimento e deixá-lo tomar conta de tudo.”
“Mas – como é que eu posso deixar de existir? É o que venho tentando fazer, você sabe.”
“Sim, Eu sei”, disse a voz. “Você terá de fazer o mesmo que Eu fiz. Criar um universo. Aguardar até surgir alguém que realmente acredita no que você acreditou e que deseje o fim da existência. Então, poderá se aposentar e deixá-lo tomando conta. Agora, adeus.”
E a voz se foi.
Walter B. Jeovah está sozinho no vácuo e havia somente uma coisa que podia fazer. Ele criou o Céu e a Terra.
Para cumprir sua tarefa, levou sete dias.


